IFPR Astorga realiza evento de pesquisa, extensão e inovação com Apresentação e Premiação de Trabalhos do Projeto Esfinge

No dia 05 de setembro, docentes e estudantes do Campus Avançado Astorga do Instituto Federal do Paraná realizaram evento de divulgação dos projetos realizados na instituição. Foram momentos preciosos em que pudemos apreciar os resultados de uma proposta pedagógica inovadora, ao menos parcialmente. Digo parcialmente, pois tivemos ações de retrocessos em relação à proposta embrionária, uma vez que houve uma descaracterização do currículo em nome de ações e discursos tradicionais e conservadores.

Como já é sabido, pois publicamos em outros textos (vide aqui  e aqui), a pedagogia por projetos inserida no âmbito do currículo escolar, com desapego às disciplinas com didáticas e organizações tradicionais, é importante possibilidade de viabilizar o tempo escolar para a pedagogia ativa, não apenas em termos de oportunizar o fazer, mas sim por sincronizar esse fazer com o conhecimento historicamente produzido. Em outras palavras, deve permitir que a pesquisa aplicada, extraída das necessidades do seio da comunidade, possa ser realizada e produza significados, o que, sabemos, só com significados e sentidos conseguimos aprender.

A descaracterização do currículo foi iniciada com a ruptura democrática em nosso país, uma vez que nossa instituição também passou por dificuldades em termos de gestão. Atualmente governada por servidor (e equipe) indicado pelo ministro da educação golpista, a forma de enxergar a educação limita-se a formar sujeitos para servir o deus “mercado”, inibindo-se às mais diversas possibilidades relacionadas ao mundo social do trabalho. Por isso, criamos um projeto alternativo, de pesquisa, denominado A Esfinge, para  dar subsídios para que as pesquisas pudessem ser continuadas, pois nestas reside a aprendizagem. Nesses termos, um pequeno grupo de professores (Prof. Ricardo, Prof. Rosa, Prof. Amir, Prof. Nádia e Prof. Bruno) que se filiaram ao projeto oportunizaram orientações e mediações para que estudantes desenvolvessem seus projetos. Dessa forma, a maior parte dos projetos apresentados no evento tiveram conexões ou estavam vinculados aos professores do Projeto ‘A Esfinge’. Em números gerais, tivemos 09 apresentações orais, sendo 05 do projeto e 04 dos demais docentes; tivemos 13 pôsteres, dos quais 08 do projeto e 05 dos demais; tivemos 21 protótipos, sendo 18 vinculados aos orientadores do projeto e 03 aos demais. No total, tivemos mais de 70% do total de trabalhos, mesmo correspondendo a menos de 20% dos servidores do Campus.

É uma clara evidência de que aqueles que optaram por conduzir aulas tradicionais em suas disciplinas e oficinas acabam por esvaziar as possibilidades de criatividade, inventividade e participação na arena científica de divulgação dos trabalhos. Por outro lado, aqueles que se submeteram ao trabalho de mediação e orientação tiveram o “pagamento” de ver estudantes de ensino médio produzindo pesquisas e protótipos de ponta.

Na ocasião, estudantes de diversas escolas e a comunidade vieram prestigiar os trabalhos no evento e ficaram encantados com as possibilidades de desenvolvimento tecnológico e cultural. Para uma escola que oferta ensino médio e técnico, faz-se necessário o confronto dos estudantes com ambientes de pesquisa e investigação científica e tecnológica, uma vez que as demandas da modernidade líquida (Bauman) são como feixes de radiação que só podem ser enfrentados com aprendizagem e conhecimento. Mas esse confronto não pode esperar apenas os poucos horários de pesquisa que sobram. É necessário vincular os projetos no ambiente pedagógico de ensino, pois, uma vez que deixemos de fazer palestras e mudamos o leme do tempo para realização de projetos, percebemos a aprendizagem. As artes, a cultura, a inovação e o conhecimento de sociedade devem ser suportes imprescindíveis para a viabilização de soluções tecnológicas, pois sabemos que as invenções devem ser disponibilizadas para o bem-estar humano. Qualquer outro discurso é ilação para criação de “robôs” e “burocracias”. Portanto, é necessário fazer aprendizagem de forma holística, unificando os conhecimentos e saberes para a interdisciplinaridade.

Como lutamos por isso, tivemos alguns resultados que merecem ser demonstrados, cujos detalhamentos de cada trabalho vinculado ao nosso projeto serão publicados em postagens específicas. Mas as fotos  já podem ser apreciadas.