Projeto A ESFINGE recebe visita das autoridades de Astorga (PR)

O Projeto A ESFINGE nasceu no âmbito das ações de docentes do Instituto Federal do Paraná (Campus Avançado Astorga). A partir do desmonte em curso de uma escola de vanguarda praticado por docentes que preferiram a manutenção do status quo da escola tradicional brasileira, outros docentes das áreas de Filosofia, Geografia, Biologia, Artes e Informática criaram espaço de resistência, resguardado por portarias institucionais de atividades de pesquisa e extensão. Tanto que a criação da própria denominação do projeto teve como base dois pressupostos: o primeiro, de que a Esfinge tem como lema “decifra-me ou te devoro”, fazendo sincrônica alusão à frase que norteou nosso projeto de curso, de Friedrich Nietzsche: “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”. Em outras palavras, vivemos um momento de inflexão das ações progressistas que pensam alternativas criativas e inovadoras no âmbito da estrutura escolar brasileira. Esse ataque tem respaldo na sociedade reacionária em que vivemos, uma vez que parte dos profissionais que não tiveram contato com o pensamento filosófico bem como não adquiriram a capacidade de pensar dialeticamente são resultantes desse modo cartesiano de conceber a prática social e, consequentemente a escolar. O segundo, pois as iniciais do nome tem a ver como as áreas dos docentes envolvidos.
Dito isso, o projeto protocolado no Comitê de Pesquisa da instituição, tem como objetivo principal “compreender e executar, a partir de olhares multirreferenciais e interdisciplinares, práticas pedagógicas inovadoras no âmbito dos currículos crítico e pós-crítico como plataforma para criatividade, produção de objetos de aprendizagem e oportunização da aprendizagem”. Dentro deste objetivo, destacamos os objetivos específicos de “criar produtos e objetos de aprendizagem a partir do mote da pedagogia por projetos, como afirmação das práticas de vanguarda realizadas pelos docentes e discentes envolvidos no projeto, em suas respectivas áreas bem como em uma abordagem multi e interdisciplinar” e, “proporcionar a multidisciplinaridade, em uma perspectiva de conhecimentos para a cidadania, para a sociedade e para a inovação”. Desse modo, a ideia central é, continuamente, criar ambientes inovadores para que a práxis seja cotidiana, em que estudantes de diferentes níveis, idades e condicionantes sociais, possam locupletar-se com projetos que possam gerar significado e, consequentemente, aprendizagem. Logo, ao agregar docentes de diversas áreas do conhecimento, a intenção foi viabilizar uma esteira tecnológica para que o cotidiano dos estudantes fossem similares ao cotidiano oferecido pelas grandes organizações da sociedade, cuja empiria traz informações e, consequentemente, sua manipulação e a interface com os objetos viabiliza o conhecimento científico, tecnológico e inovador.
Um dos projetos desenvolvidos no cerne da Esfinge é o projeto Sintros-Engenharia, que tem como objetivo construir horta sintrópica com criação de sistema agroflorestal sintrópico; construir horta agroecológica com desenvolvimento de manejo e cultivo para a comunidade; instalar placa fotovoltaica para geração de energia sustentável; criar sistema tecnológico de irrigação; entre outros. O problema residiu no processo de implantação, uma vez que é necessário dar subsídio manual pois “a natureza não espera”. Tivemos dificuldades importantes: o grupo que está no poder no campus, indicado e apoiado por quem está no governo central, tem entendimento idêntico ao geral, no que concerne a criar dificuldades para o desenvolvimento humano e educacional do país. Inibiram diversas ações que facilitariam o projeto, como por exemplo, permitir a entrada da comunidade para ajudar, sobretudo, no processo de irrigação, pois a sua não realização complicaria o crescimento de aproximadamente 4 mil mudas, desde hortaliças a moranguinhos.
Felizmente tivemos apoio incondicional da prefeitura da cidade, na figura do prefeito Antonio Carlos, seus secretários, a procuradoria da prefeitura e a promotoria, pois tivemos que acessar os poderes para garantir o funcionamento de um projeto em uma instituição pública.
Agradecemos imensamente, pois esse apoio já surtiu importantes efeitos: fizemos a primeira colheita com a presença da comunidade; ocorreu uma socialização com estudantes de diversos projetos que contribuíram com esse, aflorando a conexão e a interdisciplinaridade em projetos abrangentes; houve demonstração de aprendizagem significativa; houve aproximação dos estudantes com a comunidade; houve, de fato, a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
Estendemos os agradecimentos a todos os envolvidos e convidamos a comunidade lindeira e do campus para conhecimento e participação.
As fotos da primeira colheira podem ser conferidas no link da matéria anterior.